Opinião Furada | 2001: Uma Odisseia no Espaço

Nem entendi, mas tô aqui escrevendo sobre.

Nem sei se consigo escrever algo sobre esse filme. Eu tenho o hábito de tentar entender as possíveis simbologias (chatona né?) por trás dos filmes que assisto, mas esse... gente, nem consegui processar o que foi esse final.

A propósito, o filme é de 1968, ou seja, não vou esconder spoilers — até porque, já deu o tempo, né.


Se você, assim como eu, gosta de um filme diferente e esquisito, você vai gostar desse. Se ainda não assistiu, dê uma chance — no mínimo, você estará incorporando um grande clássico à sua lista de filmes assistidos. Eu demorei muito tempo pra ver, esse filme é de 1968! E é muito legal reconhecer toda a influência que ele teve no mundo pop posteriormente. Até a abertura da Barbie é uma homenagem a esse título. Além disso, a trilha traz o que se tornou um clássico.

Nos primeiros minutos, acompanhamos uma longa introdução com tela preta e música clássica, seguida de cenas praticamente mudas com os hominídeos… É até estranho quando finalmente você ouve um diálogo nos modos que estamos acostumados. Durante essa primeira meia hora, somos apresentados ao principal enigma do filme: a coluna (coluna? placa? vou chamar de coluna). Me pareceu que foi ela que ajudou na chamada “aurora da humanidade”. Os hominídeos aprendem a usar ferramentas, se tornam um perigo para outros grupos de hominídeos, inclusive matando um deles — mostrando que esse povo tranquilo ali é que vai virar a humanidade.


Depois disso, temos um grande, enorme corte temporal e somos enviados para o espaço. Acompanhamos um cientista indo participar de uma reunião importante. Nela, falam sobre uma grande descoberta: vida inteligente fora da Terra. Achei isso extremamente curioso, porque estou habituada a ver obras onde, quando a humanidade já consegue morar fora da Terra, ela já descobriu vida inteligente há tempos. Nesse momento, também descobrimos que os boatos sobre uma pandemia são, na verdade, para acobertar essa descoberta. O conselho vai manter essa mentira por enquanto — mesmo que possa causar pânico, ainda seria um pânico menor do que o de descobrir que existe vida fora da Terra.

Agora vamos acompanhar o grupo indo pra Lua ver a coluna que foi descoberta. Aparentemente ela tinha sido enterrada propositalmente, e isso fica assim, aberto mesmo. Ou pelo menos eu não compreendi o motivo de terem dado essa informação. Eles visitam o objeto. Uma das pessoas toca nele — assim como o macaco (afinal, somos humanos e não conseguimos deixar de tocar em algo; seguimos sendo o terror dos pais nas lojas). A galera vai tirar uma foto com uma câmera que hoje parece extremamente obsoleta, e ocorre um grande ruído. Cortamos pra outro local, 18 meses depois desse episódio, com uma nave indo para Júpiter — novamente, sem muita explicação.

Mas quero fazer uma pausa e falar um pouco sobre trilha sonora, ruídos e efeitos sonoros. Eu achei isso um dos grandes e maravilhosos acertos desse filme. Isso traz uma agonia totalmente diferente. Quando ouvimos apenas os ruídos do ambiente, a respiração do astronauta, o vazio… isso traz uma sensação de imersão para a cena, que quando uma música é adicionada, acaba tirando (nem sempre, mas muitas vezes). Achei essa experiência sem trilha de fundo muito mais interessante.

Voltando à nossa nave, somos apresentados a dois astronautas que mantêm a nave, a tripulação que está adormecida e HAL, a inteligência artificial. Esse é o miolo do filme. Mas parece que não ter ninguém dos 18 meses anteriores deixou um vazio aqui, e tivemos que reaprender a nos conectar com os personagens novamente. Eles mostraram se conectar com o HAL, mas me pareceu bastante um relacionamento onde eles sabem que é apenas um computador. Não há nenhum apego emocional — e que o HAL se comporta como se comporta porque foi programado dessa forma. Ao contrário do nosso comportamento com o ChatGPT, né? Onde acabamos imersos, pedindo obrigada, por favor, e adoramos quando ele solta uma risada de algo que falamos.

HAL traz uma preocupação com a missão, diz que algo está estranho, mas o astronauta acredita que está sendo apenas testado e não entra muito nesse papo. E eu acho que quando o HAL percebe que o astronauta não está entrando na fofoca, ele aponta um erro na nave que exige inspeção. Um dos astronautas vai fazer a inspeção (que, a propósito, é perigosíssima) e percebe que não há nada de errado. Ele volta e relata isso ao HAL. O HAL diz que talvez foi erro humano — afinal, geralmente é — e que é pra esperar falhar de novo, então eles vão ver (bem irritado o boy).


Os astronautas começam a desconfiar que há algo errado com o HAL. E que, apesar de um computador como aquele dizer que nunca falhou, na verdade ele pode estar falhando sim! Eles vão conversar em uma sala separada, onde o HAL não consegue ouvir. Mas infelizmente eles não usaram o truque de levar um leque e esconder os lábios, e o HAL faz uma leitura labial de dar inveja a qualquer criador de conteúdo do TikTok tentando decifrar as conversas dos famosos no Grammy.

HAL percebe que querem desligá-lo parcialmente e deixar somente o que é necessário mesmo. Então ele começa o plano de eliminar os astronautas. Um astronauta acaba se perdendo no espaço porque se desconectou da cápsula. O outro vai salvar, consegue, mas então começa a conversa com o HAL e percebe que ele já sabia do plano de desligá-lo e que está pistola com isso. Ninguém mais vai voltar pra nave e deu.

O astronauta larga o outro lá rolando no espaço, faz um plano com explosivos e consegue voltar pra nave. Vai direto apagar a memória do HAL, que implora para isso não acontecer e diz que está com medo. Se eu fosse o astronauta, tinha caído nessa armadilha fácil, fácil. Zero instinto de sobrevivência. O HAL fala que foi criado em 92 e que a primeira coisa que aprendeu foi uma música.


Nesse momento, eles se aproximam do espaço de Júpiter e então surge uma mensagem dizendo que 18 meses atrás foi encontrada evidência de vida inteligente fora da Terra, e que o sinal vinha de Júpiter — e por isso eles estavam indo pra lá. E parece que só o HAL sabia disso. O HAL querendo fofocar isso e o cara achando que estava passando por avaliação psicológica... que coisa, né?

Então entramos na era clipe do Pink Floyd. Várias coisas acontecem, muitas delas devem ter sido inspiração pro Windows Media Player. São várias transições por vários motivos. E não se engane, não tô reclamando não — como disse, adoro um filme esquisito. Nesse momento tentei tirar algum senso das cenas e acho que não consegui. Mas me pareceu, em alguns momentos, ter um bebê sendo concebido. Poderia ser o bebê do final? Um olho... daí corta pro olho do astronauta. Florestas, redes etc. Enfim, de tudo.

Então acabamos naquele quarto com móveis antigos e que parecem extremamente caros, com aquele chão iluminado e totalmente futurista, e o nosso astronauta passando por todas as fases da vida até a velhice. Depois aparece um bebê na cama, ainda dentro da bolsa.


Foi o astronauta que recomeçou a vida e virou o bebê? Depois ainda vemos esse bebê só de olho 👁 na Terra. Ele está consumindo ela pra crescer? Por isso ajudaram na aurora da humanidade?

Outros aspectos que me chamaram a atenção (e seguem como enigmas) foram: as pessoas que enviavam mensagens pra tripulação estavam vestidas como se fosse décadas atrás, o que destoa totalmente do restante do filme. Também é curioso ver o que achavam que era moderno na década de 60: ninguém previu no filme o touchscreen, todo mundo usava botões ou comando de voz. Pra fazer uma ligação, foi usado um cartão.


E a comida? É pasta, ou algo que parece um sanduíche. Fiquei pensando: será que na Terra estão consumindo isso também, ou é só quem trabalha embarcado? E por que eles estão embarcados? É só trabalho ou tem outro motivo? Será que esses vídeos com roupas antigas têm relação com isso? Mas a filha dele conversou com ele, e o jornalista também falou com a tripulação. Será que toda essa questão do guarda-roupa não significa nada, e foi apenas o que usaram porque era moda na época e foi bom o suficiente? Não viram necessidade de modernizar as roupas como fizeram com o resto?

Você tem essas respostas? Discorda da minha opinião furada? Conta aí (mas vamos ser legais na hora de comentar né? 🩷)

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